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Que Disse Jorge Mendes a Marcelo Rebelo de Sousa

Intervenção do Presidente da Câmara

20 de fevereiro de 2017
Valença celebrou o Feriado Municipal a 18 de fevereiro, com a presença  do Presidente da República. Saiba o que Jorge Mendes disse ao Presidente da República e aos valencianos: 
Senhor Presidente da República, professor doutor Marcelo Rebelo de Sousa, a presença de V. Exa. em Valença ficará na história desta terra de fronteira e aberta ao mundo.
Presença, que encaramos como um incentivo ao desenvolvimento e afirmação desta Cidade que foi Fortaleza invencível na defesa de Portugal ao longo dos séculos, mas hoje de convivência fraterna entre povos.
Presença que marca a comemoração dos 940 anos do nascimento de São Teotónio. O primeiro santo português.
Um nosso conterrâneo nascido em Ganfei e que faleceu há 855 anos, no dia 18 de Fevereiro de 1162.

Um Valenciano que foi aliado e conselheiro do nosso 1º Rei.
Um Valenciano que calcorreou os caminhos de Portugal a Jerusalém, por duas vezes, e se tornou cidadão do mundo.
Um Valenciano que fundou o mosteiro de Santa Cruz em Coimbra e as bases da futura Universidade
Um Valenciano que recusou por duas vezes as honras e os pergaminhos do bispado.
Um Valenciano que, sendo nosso, em nada o diminui ou aprisiona. Pelo contrário, sabemos e gostamos que seja de Viseu, de Coimbra, de Portugal, de Tui e da Galiza.
Um Valenciano que, não hesitou em admoestar D. Afonso Henriques quando este, após a conquista de Lisboa, decidiu tornar escravos cerca de mil moçárabes. Conseguiu que o Rei lhe desse razão e por isso ele próprio acolheu muitos desses ex-escravos no Mosteiro de Santa Cruz, que tinha fundado.
Que grande lição nos dá São Teotónio, quando nos nossos tempos, vemos a desumanidade de alguns dirigentes europeus e mundiais insensíveis perante a dor, a miséria e a fome, de tantos refugiados e ou migrados!
Minhas senhoras e meus senhores, 

Senhor Presidente da República
O filósofo francês, Gilles Lipovetsky, nosso contemporâneo, disse numa entrevista à revista Ler: no mundo contemporâneo, temos que devolver a dignidade aos homens, devolver-lhes a fé pela atividade, e não só a fé no conhecimento e no desfrutar de grandes obras.
O mundo precisa de devolver a dignidade aos seres humanos. Precisamos de falar e defender de novo os Direitos Humanos. 
Precisamos ter a coragem e a ousadia de afirmar que o homem, com os seus direitos naturais e com os deveres que a sua condição humana lhe impõe, deve ser o princípio e o fim da ação política.
Falamos do homem em abstrato. 
Mas podemos falar dos homens deserdados da globalização que, no seu desespero, alinham em soluções radicais e no mínimo perigosas para o futuro de todos.
Mas podemos falar das crianças, jovens e adultos que são forçados a abandonar as suas terras e depois são escorraçados e abandonados à sua sorte.
Mas podemos falar dos mais desfavorecidos que povoam as principais cidades.
Mas podemos falar de todos os que têm uma situação social frágil e de sofrimento, e que v/ex. tem escolhido como tema estrutural e central da sua ação política.
Existe uma espécie de insensibilidade coletiva, que nos leva a pensar que estes problemas não nos dizem respeito.
Fragilidades e insensibilidade que o sociólogo Zygmunt Bauman, na sua teoria da sociedade sólida e líquida, explica pela globalização, pela complexidade do pós-queda muro de Berlim, pelas transformação das relações humanas reais por relações fluídas e virtuais. Pela ameaça de exclusão do espaço social dos que não têm meios para ser consumidores.
O valor da cidadania dilui-se, todas as vezes, que se confunde cidadão com consumidor ou com contribuinte. Todos os dias assistimos a afirmações dos atores mediáticos e políticos, que em vez de falarem de problemas e direitos dos cidadãos, falam dos contribuintes. Quantas vezes já repetiram que os problemas financeiros do país são pagos pelos contribuintes. Eles são pagos por todos os cidadãos portugueses. Será que qualquer dia vão propor que os não contribuintes deixem de ser cidadãos?   
É preciso dizer que todos temos responsabilidades.
Todos temos o dever de contribuir para o encontrar de soluções.
Todos temos o dever, e penso que cada um de nós o assume por inteiro, de contribuir para um mundo melhor, mais justo, mais fraterno, logo mais humano.

Senhor Presidente da República
A nova dinâmica que V. Exa trouxe à Presidência da República, o exemplo que nos dá por ações concretas junto de pessoas em dificuldade e o enobrecimento da política, constituem para todos um desafio e um incentivo.
Devem ser encarados pelas autarquias e pelos autarcas como um caminho a percorrer com determinação e sem hesitações.
Essa é uma forma de inovar na ação do poder local democrático, no ano em que comemora 40 anos de vida, de grandes realizações, de um contributo extraordinário para o desenvolvimento que Portugal viveu nas últimas décadas.
Ciclicamente fala-se de descentralização. Mais do que falar o que precisamos é da sua concretizacão. O que precisamos é de apostar na governança e em modelos inteligentes de gerir o país, a partir de cada uma das suas parcelas. 
O que precisamos é que o país seja governado pelo país, envolvendo os cidadãos e suas organizações, os autarcas e os responsáveis políticos, como escreveu Alexandre Herculano, em 1853:  Que o país seja governado pelo país é a nossa divisa.

Minhas Senhoras, Meus Senhores
As políticas do nosso Município têm procurado atingir este objetivo superior, quando:
Quando queremos que Valença seja a melhor terra para se viver, trabalhar, estudar e visitar.
Quando privilegiamos as nossas Instituições na concretização das ações de cultura, de educação, de desporto e de solidariedade social.
Quando trabalhamos para que a nossa magnífica Fortaleza seja declarada Património Cultural da Humanidade e com isso aumentar o número de visitantes e turistas.
Quando criamos condições para o crescimento sustentado do ensino técnico e superior em Valença.
Quando gerimos com rigor a Câmara Municipal, de modo a garantir que a nossa edilidade possa ser um exemplo de boa gestão para todos e, em particular, para as empresas.    
Quando desenvolvemos a Eurocidade Valença-Tui, fazendo do rio Minho uma fonte inesgotável de ligação entre gente irmã. 
Quando melhoramos as nossas infraestruturas e desenvolvemos esforços para atrair mais empresas e emprego para o nosso Concelho.
Quando inauguramos, hoje, o Centro de Inovação e Logística/ESCE de Valença.
Quando nos juntamos nesta sala, colocando os interesses de Valença e dos valencianos muito acima dos interesses de cada um e de cada grupo.
Caras e caros Valencianos
Há dias ouvimos o senhor Presidente da República afirmar: Não existem impossíveis. Os impossíveis são os possíveis que levam mais tempo a concretizar.
São palavras que devem acompanhar aquilo que queremos e sonhamos para Valença e os Valencianos.
Queremos ser um território de gente feliz, onde a igualdade de oportunidades seja uma realidade.
Queremos ser um concelho com qualidade de vida e bem-estar comum em cada freguesia.
E alguns dos nossos possíveis, que pareciam impossíveis, têm-se concretizado.
Hoje e aqui, verifico que temos razões para respirar tranquilidade.
Tranquilidade, pelo muito que foi feito, e por aquilo que está em andamento.
Tranquilidade que resulta da convicção de que estamos a cumprir com o nosso dever.
Dever que nos exige que continuemos o caminho com determinação, porque há muito ainda a fazer. Existem muitos objetivos e sonhos ainda por tornar possíveis.
Podem contar com o trabalho, o esforço e a dedicação do Executivo, da Assembleia Municipal e dos nossos Autarcas das Freguesias.  Podem contar comigo.
Estou certo que posso contar com cada um de vós.
O que nos une, o amor à nossa terra, a dedicação a Valença é mais forte que as diferenças que nos separam. Diferenças que nos tornam mais fortes por Valença e pelos Valencianos.
Muito obrigado

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